Precisei tomar um porre (e tomei), e chorei. Precisei de um terceiro amigo que me recriminasse no meio desse porre pelo erro de sentir o que senti e sinto, porque eu mesma soube desde o início que era um erro. E, ainda assim senti.
Hoje, me sinto enfim mais aliviada, pode ser simplesmente por não te querer tanto, ou só por não te querer mesmo. Na verdade, não sei se quero, talvez descubra depois que até quero mais. Mas agora, ao menos por enquanto e por segurança me distancio, uma distância saudável. Distância de te perder aos pouquinhos.
Apesar do alívio, há ainda em mim alguma espécie de frustração por certas vezes notar que ficou muito mais de você em mim, do que eu poderia julgar.
Não lembranças, nada do seu cheiro, nada palpável, que se possa guardar.
Mas muitos dos seus traços e trejeitos tem me acompanhado, ao menos a mim isso é notável. O mais interessante, é que justamente o que me repugna em você me acompanha.
Sua sordidez, sua frieza. Principalmente esses dois pontos, tão fortes em você não me abandonam.
Estão presentes no meu jeito de falar, conversar, no meu jeito de agir.
Meus olhares agora me entregam menos que antes de você passar por mim.
Olhando tudo isso, eu só te agradeço. Sim, agradeço! Dessa forma, consigo perceber que a cada dia crio mais escudos contra sentimentos.
Suelen Karina

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